O verão na Alemanha dura pouco. Quem vive nos trópicos não entende bem a mania alemã de fazer tudo lá fora, im Freien, tão logo os primeiros raios de um sol mais quentinho aparecem. Não importa se a sua cerveja esquenta, se o sorvete derrete mais depressa, se você esqueceu os óculos escuros em casa, se o suor gruda a blusa nas costas, ou se as vespas não deixam você dar uma garfada sem antes passar pelo vexame de gestos desesperados e gritinhos ridículos. O negócio é sentar lá fora e aproveitar o sol enquanto ele existe.
Isso tudo causa um stress danado. Você às vezes está coberto de trabalho e fica vendo o céu azul pela janela, se sentindo culpado por não estar aproveitando, mas sabendo que a culpa vai continuar lá se você resolver sair e deixar o trabalho para mais tarde.
Mas existe uma coisa para recompensar as pobres almas trabalhadoras que passam o dia no escritório e permitir que também aproveitem o verão: o Sommerkino – ou, em bom alemão, Open Air Kino. São os cinemas ao ar livre, montados durante algumas semanas em praças ou outros espaços abertos. A programação geralmente tem de tudo, desde A Idade do gelo (Ice Age 3), até clássicos como Quanto mais quente melhor (Some like it hot). Mas o filme, na verdade, pouco importa. O que conta é o ambiente e o ritual. Geralmente, a entrada é a partir das 19 horas, quando o dia aqui ainda está claro. Dentro da área cercada, há quiosques com todo tipo de comida e bebida. Você procura um lugar para assistir ao filme depois, deixa o seu casaquinho para marcar a área e fica por ali bebericando, batendo papo, até o filme começar, lá pelas 21 horas, quando já está escurecendo.
Meu cineminha de verão preferido fica numa cidade próxima a Stuttgart, Ludwigsburg. Ele é organizado dentro de uma antiga caserna militar, a Karlskaserne, que hoje é um centro cultural. E ontem, pelo terceiro ano consecutivo, começou o Open Air em frente ao museu da Mercedes-Benz. O lugar é um pouco fora de mão, mas a arquitetura é genial e a programação vale a pena (vejam aqui). Na próxima sexta-feira, quem assistir ao filme Uma Noite no Museu 2 (Night at the Museum 2) vai poder ainda visitar depois o museu da Mercedes com uma lanterna na mão e fazer de conta que é o Ben Stiller. Ou simplesmente ficar lá fora, tomando sua cervejinha gelada, com a roupa sequinha e sem as vespas por perto, que a essa hora já foram dormir.
3 comentários:
Sempre gostei de ir ao drive-in da Lagoa com minha avó. Antes tinha sempre um lanche no Drugstore. Hoje é uma super academia de ginástica, com tudo que se tem direito...
A idéia de andar/visitar o museu da Mercedes de lanterninha após o filme me fez até pensar duas vezes em assistir ao filme. O pequeno senão é que gostei muito da primeira versão do "Nacht im Museum". Será que iremos gostar da segunda?
Obrigada pela visita, Roberto! Drive-in, batata frita e coca era tudibão! Mas na Lagoa era chique, hein?
eita!!!!!!
ainda nem li o post, mas AMEI a foto. arrasou dona bete!
beijo e sucesso
Kalina
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