quinta-feira, 18 de junho de 2009

O Brasil nas bancas

A imagem do Brasil na imprensa alemã nem sempre é das melhores. Em geral, o que se são os clichês de praxeum país de proporções continentais, com um povo alegre e hospitaleiro que vive numa baderna generalizada esperando um futuro promissor que nunca chega.

De uns anos para , porém, há um novo Brasil nas bancas. O Brasil do BRIC, uma das promessas de salvação da economia mundial. Esse país frequenta os cadernos de economia, as revistas e jornais especializados, é citado como modelo e levado a sério.

O último exemplo desse interesse pelo que acontece além dos limites de Copacabana é a série especial do jornal Handelsblatt. Durante três semanas, foram publicados perfis variados de gente que vem atuando com sucesso na sociedade brasileira. Teve de tudo um pouco: Luiza Helena Trajano, da rede Magazine Luiza, José Sergio Gabrielli, da Petrobrás, os ministros Celso Amorim e Furlan, Roberto Setúbal, do Itaú, Paulo Adario, ativista do Greenpeace, Fred Curado, da Embraer, Eike Batista, o homem mais rico do Brasil, as histórias de sucesso do pequeno empresário brasileiro, Jaguaracy San Just, e do empresário alemão Stefan Schmersal, que em plena crise investe em uma nova fábrica, e até Carlinhos Brown foi retratado. A série fechou com uma entrevista com Caio Koch-Weser, ex-diretor do Banco Mundial e atual vice do Deutsche Bank, nascido no Brasil.

Para o leitor brasileiro, mais interessante até que ler as reportagens foi observar a reação dos leitores locais a esse lado do país ainda desconhecido por muitos. Para eles, foi uma surpresa, por exemplo, ver estampado no jornal o rosto de um homem que a maioria juraria ser a mais nova aquisição do time do Bayer de Munique e descobrir que esse Jaguaracy é um empresário que consegue, hoje, um faturamento anual de cerca de 500 mil euros. Ou conhecerDona Luiza”, uma mulher baixinha, risonha e um tanto rechonchuda que dirige uma rede de lojas com uma estratégia tão bem sucedida que virou objeto de estudos de consultorias como a Boston Consulting Group – afinal, o Brasil não é aquele país machista, onde as mulheres só cuidam da beleza?

Um dos aspectos positivos das reportagens foi apontar também os problemas que se enfrentam na tentativa de modernizar o país, mas sem cair na velha argumentação de que isso nunca vai mudar, pois corrupção e caos pertenceriam à cultura local. À parte de algumas alusões de praxe, como ao famoso “jeitinho” brasileiro, os artigos tentam corrigir esses mitos e apresentar um quadro mais complexo da realidade brasileira. Não é uma tarefa fácil, mas o jornal, na minha opinião, saiu-se bem bem. Para quem alemão, vale conferir.

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